sábado, 4 de julho de 2015

RÁDIO CEFET - PROGRAMAÇÃO DE QUALIDADE


Uma das minhas principais características desde criança é fazer aquilo que eu gosto de consumir. Ou seja, com o tempo, por me interessar tanto pelo assunto, além de ser um consumidor, na maioria das vezes eu sempre me torno um produtor.

Como alguns exemplos, posso citar quando tive os meus primeiros contatos com a leitura com os quadrinhos da Turma da Mônica. Eles foram a porta de entrada para pouco tempo depois eu criar meus próprios personagens, as minhas próprias histórias; ainda com limitações na escrita e nos desenhos. Com estes, em particular, nunca fui bom mesmo.

Teve também a experiência de começar a ouvir Rock e consequentemente compor minhas próprias músicas e até montar uma banda por brincadeira.

Atualmente, posso usar como exemplo a minha participação em Podcast. Outro tipo de conteúdo que conheci e passei a consumir há mais de três anos. Quando dei por mim, estava do outro lado, ajudando a produzir e a propagar. Em outra ocasião falo melhor sobre essa mídia aqui no blog.

Mas uma das coisas que mais me deu satisfação em produzir após ser um grande consumidor foi a experiência com rádio que, de certa forma, contribuiu para produzir podcasts agora.

Eu me interessei por música na adolescência, ouvindo Rock. Antes disso, qualquer coisa era música. Qualquer coisa mesmo. Não ligava. Pouco me importava.

Crédito: Rodolfo Cruz
Certa vez, no ensino médio, vi um grupo de alunos, com o apoio do grêmio da escola, organizando uma rádio interna que consistia em uma única caixa de som localizada em uma alta coluna na cantina; cujos fios iam até uma sala que ficava ali próximo. Era a sede do grêmio. Nesta sala havia um antigo aparelho de som, onde geralmente se deixava um cd inteiro tocando. Às vezes alguém falava com microfone. A "rádio" da escola estava inaugurada e se resumia apenas nisso. A caixa, a propósito, foi retirada faz pouco tempo, ficando lá por mais uma década.


Como eu não tinha nenhum envolvimento com a equipe responsável (apesar de um dia eu ter deixado um CD dos Raimundos tocando a manhã inteira), eu só ficava de longe observando e pensando que poderia fazer melhor. 

Nos fins de semana em casa, com o Mini System, eu simulava sequências musicais com os CDs que eu tinha. Aproveitava que o aparelho tinha aquela bandeja onde cabiam três discos e fazia das minhas tardes divertidas, brincando de rádio com as músicas que eu gostava. 

Alguns anos depois, minha paixão por música (Rock) só aumentou. Já contava com um bom acervo em meu computador. E foi em uma madrugada de 2003 para 2004 que eu descobri a magia das web rádios. Emissoras que transmitiam sua programação pela internet. Esta ainda arcaica. Ouvir rádios online com conexão discada era um sacrifício. E sinceramente? Até hoje eu não sei como eu conseguia.

Aquilo pra mim foi fascinante, porque eu não só estava descobrindo uma maneira diferente de ouvir rádio, mas também descobrindo o que era rádio com segmentação. Óbvio que a primeira rádio online que ouvi era de Rock. A vontade de fazer aquilo que eu estava consumindo, tomava conta de mim. Ainda sou ouvinte assíduo de web rádios.

Uma coisa que faz parte da minha vida é que tudo aquilo que desejo ou penso, acaba acontecendo cedo ou tarde; quase que inevitavelmente. É como se eu atraísse pra perto de mim, mesmo sem fazer muito esforço. Ser podcaster foi assim.

Alguns dirão que é destino, lei da atração ou até irão citar "The Secret". Não sei. Mas se eu gostei de algo e sinto que aquilo vai me satisfazer, o universo vai preparar esse algo pra mim; mesmo que seja para daqui a dez anos.

Pois bem... No segundo semestre de 2004, na Faculdade de Publicidade, inscrevemos um projeto em uma feira de tecnologia promovida pela própria instituição: o CEFET-AM, que hoje é o IFAM. Vale lembrar que também fiz o ensino médio em uma das unidades dessa instituição.

A ideia de participar da feira não partiu de mim, mas sim de um dos meus colegas de turma que demonstrou interesse em inscrever algum projeto. Com isso, ele pediu apoio dos demais colegas, incluindo eu. De uma turma de vinte e cinco alunos, pelo menos dez fizeram parte da equipe, além do professor orientador: Everton Arruda.

Qual era a ideia do projeto? A rádio interna do CEFET com o objetivo de comunicar, informar e entreter alunos, professores e funcionários. Isso porque o curso passou a contar com um laboratório de áudio e vídeo equipado para produções acadêmicas e toda a estrutura para um estúdio de rádio. Quando essa informação chegou até mim, meus olhos brilharam.

Com o projeto de nome Rádio Alta Frequência, montamos um estande na exposição, todo customizado. Não só promovemos a ideia da rádio como também animamos o ambiente fazendo sorteios, interagindo com os visitantes. Foi uma festa. 

Para nossa surpresa, ficamos com o 1º lugar na exposição dentro da categoria da qual fazíamos parte. A festa só aumentou e todos nós comemoramos. Mas, ficou por isso mesmo e o projeto foi engavetado. 

No ano seguinte, em 2005, a instituição recebeu um novo professor: o Dr. Djalma Paz, que iria lecionar as disciplinas de áudio e vídeo durante aquele semestre. Foi quando ele, sabendo do projeto apresentado e conhecendo a estrutura que a faculdade disponibilizava, tomou a frente de fazer com que tudo aquilo se tornasse realidade e me chamou para fazer parte da equipe; juntamente com o técnico de som Marcelo Átila e alguns alunos do curso de Publicidade. O projeto vencedor finalmente nasceria e com o nome de Rádio CEFET. 


O CEFET (Ifam), cuja área é do tamanho de um quarteirão inteiro, começou a receber as instalações das caixas de som e cabos que iriam propagar o áudio direto do estúdio. Montamos uma equipe pequena e trabalhamos bastante para fazer acontecer. Eu tive o prazer de acompanhar de perto todo o processo de instalação e testes.

Em julho de 2005, após a volta do recesso de primeiro semestre, a Rádio CEFET finalmente começou suas atividades comigo na gerência, apresentação e produção. Todos os dias, às 10h da manhã, eu iniciava a programação com a vinheta "Rádio CEFET, programação de qualidade" e a música "Escola História" da banda local Teoria Arcana

A rádio foi um sucesso na comunidade, principalmente entre os alunos adolescentes, uma vez que no mesmo prédio encontrávamos alunos do ensino médio, técnico, graduação e pós-graduação. 

Entrevista com a banda Teoria Arcana
Como estilos de música tínhamos MPB, Flashback, Música clássica, Instrumental, Jazz e, é claro, Rock. Muito Rock. A principal característica da rádio foi também de divulgar artistas locais, contando inclusive com algumas entrevistas no próprio estúdio. Os alunos pediam músicas, interagiam. Fiz muitos amigos lá.

Eu costumava ficar até as 13h porque tinha aula no período da tarde. Era quando eu passava a vez para os parceiros de estúdio e eles comandavam a programação que ia até o início da noite, alcançando os estudantes noturnos que estavam chegando.

Mas sempre que tinha um intervalo, eu estava indo lá conferir como estavam as coisas. E quando eu tinha a noite livre na outra faculdade que eu também estudava, eu prolongava a programação da Rádio CEFET até mais tarde, voltando para o estúdio. 

No fim de 2006, já formado em Publicidade e com malas prontas para o Paraná, tive que me despedir da rádio. Com o fim do ano letivo, a rádio encerrou suas atividades também por causa do recesso.  Ainda fiquei por mais uma semana ali, organizando tudo para quem fosse me substituir no ano seguinte.

O clima já era de despedida com corredores vazios, sem alunos, alguns poucos professores fechando notas e relatórios anuais. As caixas de som externas já não tocavam mais nada. E eu no estúdio, apenas com o som interno, via-me tentando praticar o desapego.

Mas não teve jeito. Lembro exatamente do último dia daquela semana solitária. Era uma sexta-feira, 4 da tarde. Fui desligando aos poucos e lentamente todos os equipamentos. Tocando em cada um deles da mesma forma que o químico Walter White se despediu do laboratório, no último episódio de Breaking Bad. 

Após todos os equipamentos devidamente desligados andei em direção à porta, meio que de marcha ré, despedindo-se daquele ambiente que tanto me fez feliz. 

Desligar a chave geral e deixar a sala às escuras, foi o "the end" pra mim. Voltando a citar Breaking Bad, certamente a música "Baby Blue" da banda Badfinger poderia ter sido a trilha perfeita para combinar com aquele momento de fechamento de um ciclo.


Até o apagar das luzes ainda houve o fato de recuperar a aparência do rosto, já que cheguei a estar com os olhos marejados e eu ainda iria devolver as chaves. Por isso, não queria demonstrar que um marmanjo estava chorando.

No corredor vazio e silencioso, vinha na mente a imagem daquele lugar cheio de alunos, curtindo as músicas com o pensamento de que o projeto iria continuar no próximo ano letivo e que eu já tinha feito a minha parte.

Na sala estava o Professor Djalma. Entreguei as chaves e agradeci pela confiança, ensinamento e pela maravilhosa experiência de ter participado daquela comunidade, promovendo entretenimento e diversão. Na verdade, aquele agradecimento pessoal foi uma forma de agradecer por todos que direta ou indiretamente contribuíram para que aquele projeto se tornasse realidade: colaboradores, professores, ouvintes.

Longe de lá, já morando aqui no Paraná, soube depois que a rádio não durou por muito tempo. Afinal, ainda tinha amigos ouvintes que me mantinham informado. E claro, eu sempre queria saber. A rádio depois de um tempo fechou. Voltei lá alguns anos depois, mas tudo estava diferente; apesar de estar com uma estrutura muito melhor. Mas a rádio não existia mais. 

Para tentar resgatar aquele período que passei lá, em 2010 montei minha web rádio; mas com o segmento 100% Rock. É a Rádio Rocks que é até hoje o meu hobby, a minha filha querida, com programação 24 horas.

Mas por que estou falando sobre tudo isso só agora? Neste ano de 2015, dez anos depois de sua inauguração oficial, o professor Djalma Paz e o Marcelo - da mesma equipe inicial - retomaram as atividades do projeto. Claro que ainda em caráter experimental, na web: a Rádio IFAM.

E ouvir as músicas tocando, mesmo sem vinhetas, apenas com um playlist aleatório me deixou bastante feliz. Isso porque reconheço algumas das músicas e tenho certeza que muitas delas ainda pertencem ao acervo que ajudei a construir lá no passado. Ou seja, de certa forma, ainda faço parte daquilo.

Não sei quais são as intenções com o novo projeto, mas desejo que ele dê certo e que possa fazer parte de uma nova geração de alunos daquela instituição que por 8 anos (contando ensino médio, técnico e faculdade) foi a minha segunda casa.

O meu desejo é que algo possa ser aproveitado com essa iniciativa de resgatar um trabalho brilhante, de equipe e divertido que um dia foi a Rádio CEFET. Que a programação de qualidade continue sempre, a partir de agora nessa nova jornada com a Rádio IFAM.

Deixo aqui minhas eternas saudades da Rádio CEFET, programação de qualidade.

Para ouvir a rádio web Ifam, em caráter experimental, basta acessar o link abaixo:


quinta-feira, 5 de março de 2015

A MÁ NOTÍCIA NOSSA DE CADA DIA


Imagine a seguinte situação: você recebe uma mensagem no celular, por email ou até mesmo pessoalmente. A mensagem te deixa feliz, animado, muda o seu dia para melhor.

Que tipo de notícia poderia te proporcionar uma sensação assim? Uma notícia boa ou ruim? Certamente você dirá que é a boa. Estou certo? E acredito que uma notícia boa faz bem para a maioria das pessoas, não é? Então por que notícia ruim dá tanta audiência?

Ouvindo o episódio 443 do Podcast Café Brasil, apresentado pelo brilhantíssimo Luciano Pires, eu me inspirei a escrever este texto. Era algo que queria comentar há muito tempo, coisa que o episódio citado serviu para estimular.

No cast, Luciano Pires relatou sua experiência da qual tirou um dia inteiro para postar somente boas notícias em sua págína no Facebook. O resultado? Foi surpreendente e você pode conferir depois ouvindo o episódio.

Mas, afinal, o que tem de tão fantástico na notícia ruim para que ela seja tão destacada na mídia e as pessoas se interessarem tanto por elas? Notícia boa só é interessante quando nos convém? A tragédia alheia se tornou um entretenimento, uma diversão?

Já tem um certo tempo que parei de assistir à telejornais. Hoje me mantenho informado da atualidade por meio de portais de notícias, onde eu escolho sobre o que quero saber, algo como um self service da informação. Costumo ir direto nos menus, porque geralmente na página inicial a ênfase ainda é a notícia ruim.

Isso também não significa que eu esteja sujeito a uma negação dos fatos, da realidade. Pelo contrário. Só não me convém ser contaminado e influenciado pela negatividade que essas notícias impõem.

No telejornal, nem a previsão do tempo escapa. Eles focam nas regiões onde o dia será nublado e com trovoadas. Daí para frente é ladeira abaixo. Só desgraça.

Isso porque citei os grandes telejornais brasileiros. E aqueles programas regionais que se dizem jornalísticos, que normalmente vão ao ar no horário de almoço? Você está almoçando ao mesmo tempo que ouve dizer que Fulano atingiu Sicrano a golpes de faca. Tudo isso com imagens e relatos de testemunhas, da vítima e até do culpado agonizando de dor.

Qual a importância d'eu saber isso? O que agrega na minha vida? Nada! E é curioso notar que milhares de pessoas estão ligadas em um, dois ou três programas similares que disputam a audiência naquele horário. Vence quem mostra mais sangue, mais assaltos, mais confrontos.

E muitos desses programas policiais sensacionalistas passam uma imagem disfarçada de assistencialistas, preocupados com a população. Sinceramente, se você dá audiência a esse tipo de programação, não reclame que sua vida está uma mer*a. O foco em uma coisa, atrai outra igual.

Contudo, torna-se uma tarefa difícil moldarmos isso em nossa vida. As notícias ruins estão escancaradas em todos os lugares: nos telejornais, na timeline e, pior, nas conversas entre amigos e familiares. Sempre tem alguém que coloca a desgraça, a tragédia na pauta do assunto. Algo do tipo "Você soube o que aconteceu com a Fulana?"; "Ficou sabendo daquele acidente de trânsito na rodovia?"; "Sabe quem morreu?"... E por aí vai. Às vezes não dá pra mudar o canal social e temos que aturar.

A mídia se fortalece com a tragédia. Um exemplo recente disso foi a estreia de um programa, cujo apresentador fez muito sucesso nos anos 90 com o seu programa de auditório aos domingos. Como o sujeito estava há muito tempo fora da mídia, em sua volta resolveu entrevistar uma condenada por participar brutalmente do assassinato dos pais. Resultado: 1° lugar no IBOPE!

A mídia sabendo dessa preferência nacional por notícia ruim, não mede esforços em promover esse tipo de informação.

Fiquei imaginando como seriam as manchetes de um telejornal só com notícias boas. Desde economia, política, esportes... Na Política, principalmente, isso poderia ser uma grande armadilha; já que notícias boas poderiam mascarar as falcatruas governamentais. Elas passariam a imagem de que determinados políticos seriam bonzinhos. Os sites e propagandas de partidos políticos já fazem esse papel.

Parece até então que notícia boa é fantasia, ficção, ou até mesmo utopia. Seria algo como tomei a liberdade de criar em forma de manchetes fictícias de como seria um jornal com notícias que gostaríamos de ler.


Falando nisso, existe um site do portal Uol que se especializou em filtrar somente notícia boa, e se você der uma rápida lida nas notícias da Home, verá que elas dificilmente teriam audiência nos programas jornalísticos.


Esse é outro ponto que o Luciano Pires citou em seu programa: a avalanche de notícia ruim nos torna pessimistas.



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Dicionário: Entendendo a linguagem do Norte/Noroeste do Paraná.



Em 2007, quando mudei para o Paraná, o primeiro impacto que senti foi o cultural. Mais até que o fator climático. Afinal, saí de Manaus, no Norte do Brasil onde nasci e vivi durante 25 anos e cheguei a uma região praticamente desconhecida. É óbvio que em um país de dimensão continental, iria encontrar muita coisa diferente ao chegar ao sul.

Dentre aquilo que vi de diferente, destacarei nesse texto as palavras e expressões típicas do Norte/Noroeste do Paraná. Algumas delas são utilizadas no Estado como um todo, outras na região sul inteira e tem aquelas que são provenientes do sul do Estado de São Paulo, que é quase limite com a cidade onde moro: Maringá.

Toda região do país, além do sotaque, tem um linguajar característico, palavras e expressões que são próprias do lugar. Assim como em Manaus existe, ao chegar em Maringá não foi diferente. Só que no primeiro momento, confesso que senti dificuldades. Foram necessários pelos menos uns seis meses para que eu compreendesse algumas expressões, associando o contexto das frases que se formavam em uma conversa.

O que fiz, então: anotei várias dessas palavras e expressões e criei uma espécie de minidicionário. Bem a grosso modo mesmo. Depois que não precisei mais, abandonei e larguei em qualquer lugar. Hoje, folheando um livro, encontrei o papel com os meus rabiscos no meio das páginas e resolvi compartilhar aqui. Então, caso você seja de outra região do país e um dia aparecer por essas bandas, quem sabe esse pequeno dicionário lhe ajude.

Obs. 1: Apesar de certamente existirem muitas outras palavras, cito aqui somente as que constam nas minhas anotações e/ou as que de alguma forma ouvi falarem perto de mim. E, claro: antes de mudar para o Paraná, nunca tive nenhum contato com elas.

Obs. 2: Certamente este post será atualizado eventualmente conforme eu descobrir e lembrar de termos novos. Com isso, fique à vontade para voltar aqui.

Vamos a elas:

Anarquia: Bagunça. Ex.: A caixa de brinquedos caiu e fez a maior anarquia no chão.
Apurado: Estar em apuros, geralmente com muita vontade de ir ao banheiro.
Axa!: Interjeição de surpresa, espanto. Ex.: Axa!! Sério que ele disse isso?
Bão: O mesmo que bom. Geralmente antecedendo a palavra "também".
Bezorro: Assim como o americano não consegue pronunciar palavras com "~", o paranaense não consegue falar "besouro".
Bigato: Larva, verme.
Biscate: Em outras regiões é o mesmo que quenga, put*, mas nesse caso sempre como ofensa e não a profissão.
B.O.: Problema. Ex.: Deu um B.O. no carro. Vai ter que levar no mecânico.
Capaiz: Expressão utilizada para duvidar de algo. Ex.: Capaiz que ele comeu tudo em um minuto.
Carpir: Capinar, aparar o mato alto.
Catar: Pegar/agarrar com as mãos. (Eu conhecia como colher, selecionar)
: Abreviação para "você". No plural, a palavra se transforma completamente para Seis (e não é o numeral).
Cem-ão: Cem reais. Para Dez Reais, a expressão é Déi-zão.
Circular: Utilizada para citar o ônibus coletivo do transporte público. Provavelmente porque a primeira linha de ônibus da cidade, tinha esse nome no itinerário.
Cozido: Cansado, entediado, sem ânimo pra nada.
Daí:
Funciona como um ponto final em qualquer frase. Ex.: Hoje eu chego mais cedo, daí.
Data: Terreno, lote. Geralmente vem acompanhada do verbo "Carpir" que vimos antes. Ex.: Preciso carpir essa data porque o mato tá muito alto.
De apé: Ir a pé a algum lugar. Ex.: Cansei de esperar a circular e fui de apé pro centro.
De cara: Inconformado. Ex.: Fiquei de cara com o resultado das eleições.
Drumir: Dormir.
É, ué!: Expressão que reforça um "sim". Ex: Sério que aquela loja fechou?/ É, ué! Não sabia?Erguer: Aumentar. Ex.: Ergue um pouco o volume, porque não estou ouvindo.
Estrovar: Incomodar. Ex.: O bêbado passou a noite estrovando na festa.
Fi! Expressão que em outras regiões, são conhecidas como "meu filho". Ex.: Não vem com essa não, fi! Aqui não!
Fuca/Fuco: É o Fusca mesmo, carro da VW. Paranaense não sabe pronunciar o nome certo.
Lazarento: Ofensa. Algo como desgraçado. Ex.: Sai daqui, seu lazarento!
Macetar:
Amassar, bater forte. Ex.: Macetei o dedo sem querer com o martelo.
Mistura:
Todo alimento que acompanha a base da refeição do brasileiro que é o arroz e o feijão. No caso, a mistura pode ser a carne de boi, frango, peixe...
Na Roça: Estar em uma situação complicada, difícil, ferrado. Ex.: Perdi meus documentos. Fiquei na roça.
Nimim:
Junção de em + mim. Ex.: No dia do meu casamento, jogaram arroz nimim.
Os Hômi: É assim que se referem à polícia. Ex.: Tá tendo muito assalto nessa região. Vou ter que chamar os hômi.
Ô Loco!:
Interjeição de espanto igual ao "axa"!
Patente: Privada, vaso sanitário. Ex.: Depois que der a descarga, não esquece de fechar a tampa da patente. (Essa palavra eu adoro pela complexidade que tive de entendê-la. Após este dicionário tem um apêndice especial sobre ela.)
Piá: Menino novo, garoto.
Pitar: Fumar.
Pó da gaita: Cansado, exausto. Ex.: Trabalhei tanto hoje que agora estou só o pó da gaita.
Podar: Ultrapassar. Ex.: Se você não podar esse caminhão, ficaremos atrás dele até chegar na cidade.
Polaco: Uma pessoa de pele muito branca, caucasiana, de olhos e cabelos claros. Tipo o Humberto Gessinger.
Ponhar: Variação errônea do verbo "pôr". Ex.: Vou ponhar mais açúcar no café. (Sinceramente, odeio com todas as minhas forças essa expressão. Cada vez que ouço, eu sinto um chute no estômago).
Pozar: Passar a noite, dormir fora de casa. Ex: Como está muito tarde, hoje vou pozar na casa da minha mãe.
Redondo: Rotatórias em ruas e avenidas.
Relar: Tocar de leve. Ex.: O goleiro chegou a relar na bola, mas mesmo assim ela entrou no gol.
Riba: Pra cima, em cima, acima. Ex.: Qual caixa eu tenho que pegar? A de riba ou a de baixo?Sinalêro: Semáforo, sinal de trânsito. Ex.: Deu tempo de frear antes do sinalêro ficar vermelho.
Tranqueira: Pessoa de má índole. Bandido. Gente ruim. Ex.: Aquele cara não vale nada. É um tranqueira!Trupicar: Tropeçar. Ex.: Trupiquei na calçada e dei com a cara no chão.
Tubaína: Corretamente é uma bebida não alcoólica cujo sabor é um misto de frutas, mas que no geral o termo é utilizado para qualquer refrigerante regional, seja ele a própria tubaína, guaraná, laranja e etc.
Xacuaiar: Agitar, sacudir. Ex.: Cê tem que xacuaiar antes de beber. Xacuaia bem.
Zarpar: Sair, ir embora. Ex.: Zarpemos de lá ontem à tarde.
Zorba: Cueca. (No sul e sudeste do Brasil, a metonímia é bastante utilizada. Com isso é muito comum ouvirmos as pessoas substituírem uma palavra pela sua marca comercial, principalmente se ela for pioneira.)

APÊNDICE: A PATENTE

Falei que é a palavra que mais gosto justamente por ser a que levei mais tempo para entender. É óbvio que eu conhecia da forma que, ao meu ver, é a correta: uma carta que dá privilégios a uma pessoa sobre determinada invenção ou um título militar.

Eu ouvia, analisava a frase, os elementos, mas não conseguia entender o contexto. Mas uma coisa me intrigava: tinha ligação com o banheiro. Eu poderia muito bem chegar para as pessoas e perguntar. Mas, eu me empolguei tanto com a brincadeira de descobrir as novas palavras por meio dos contextos, que preferi ir até o fim.

No dia em que eu descobri o significado, foi tamanha a exaltação que só faltou eu gritar "Yeah, Bitch!!!". Talvez se "Breaking Bad" existisse naquela época, provavelmente faria isso.

Na ocasião, fiz algumas amizades com um pessoal muito divertido da Renovação Carismática Católica de Maringá, da qual frequentava. Foi preciso eu ir longe, sair do Paraná, para entender o que significava a tal da patente. Foi lá no Vale do Paraíba em São Paulo, em uma excursão religiosa, que aconteceu a grande descoberta.

Ficamos alojados em uma escola pública, cedida pela prefeitura da cidade, e todos tinham que dividir algo em torno de dois banheiros. Era inverno. Estava eu na fila, um frio do cacete, aguardando a minha vez, e sempre que alguém saía do banheiro, fazia um comentário sobre a patente ser debaixo do chuveiro.

Era a dica que eu precisava! É só olhar para o chuveiro, mirar no chão e ver o que tem embaixo. Vale lembrar que eu entendia como batente (com "b"). Palavra que eu também conhecia como uma ripa de madeira na horizontal que limita o movimento das portas. Com isso, eu ficava me questionando: tem um batente no chão e o pessoal está tropeçando enquanto toma banho? Será que é por isso que eles estão reclamando?

Enfim, quando chegou a minha vez, fiz aquela análise do ambiente e movimentei os olhos na vertical partindo do chuveiro. Para minha surpresa vi o vaso sanitário em uma linha quase que reta. Havia até uma certa dificuldade para tomar banho. "Ah, então eles chamam privada de batente..."

De banho tomado, fiquei por ali, acompanhando as conversas e foi quando descobri que eu ouvia errado: era com a letra "p". "Ô, lôco! Sentei pra dar um cagão na patente e o chuveiro ficava pingando nimim.", foi uma das coisas que ouvi.

Só que a dúvida ainda não estava 100% esclarecida. Eu queria saber de onde o povo inventou que vaso sanitário é patente. Voltando pra Maringá, fiz uma rápida pesquisa e segundo um Instituto Especializado em P*** Nenhuma, descobri o porquê. E ri, ri muito mesmo sem saber se a história é real.

Como eu disse antes, na região sul e sudeste do Brasil, o uso da metonímia é intenso. Trata-se de uma figura de linguagem, dividida em várias categorias sendo que uma delas é substituir a marca pelo produto. Ex.: Bombril, para esponja de aço; Gillete para lâmina de barbear; Sucrilhos para cereal de flocos de milho e por aí vai. Até a própria tubaína é um exemplo disso. Não precisa nem necessariamente ser uma marca, mas desde que esteja estampado na embalagem ou no próprio corpo do produto. Foi esse o caso do vaso sanitário.

Segundo o que li, no passado, o Brasil importava louça sanitária da Inglaterra e elas chegavam aqui com a inscrição "Patented" estampada ou em relevo no produto. Obviamente, o pessoal via aquela palavra gigante e com isso passou a chamar assim o utensílio, de geração a geração. Hoje as crianças menores crescem falando patente. E mais uma vez: é claro que eu dei risada ao saber disso.

Apesar de ser a palavra preferida, eu nunca usei e nem tenho intenção de usá-la. Continuo e continuarei chamando de vaso sanitário. Mesmo eu já utilizando várias dessas palavras em meu vocabulário no meu dia a dia. Menos "ponhar". Aí é sacanagem.

Para encerrar, esse negócio de metonímia me fez refletir sobre a guerra existente entre o termo Biscoito x Bolacha. Levando em consideração que biscoito e sua variação etimológica são utilizadas no mundo todo, eu tenho quase, QUASE CERTEZA de que há muito tempo atrás havia uma marca brasileira de biscoito chamada Bolacha. Vale pesquisa, hein?

Um abraço e quem sabe em uma outra oportunidade eu não escreva um texto parecido, mas com as expressões e palavras amazonenses?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM ANO (IN)ESQUECÍVEL



É madrugada. Na verdade, a última de 2014. Numa rádio web nacional, que escolhi aleatoriamente, toca um hit da minha banda preferida. E eu nem esperava por isso.

Para muitos, esse negócio de última-tal-coisa-do-ano é irrelevante. Afinal, a última ou a primeira data no calendário pode não ser algo tão fundamental assim no percurso natural da vida. Contudo, eu tenho essa paranoia. Até o último banho do ano, algo me faz enfatizar na mente enquanto estou debaixo do chuveiro: "Que f***, mêu! Estou tomando o último banho de 1992, 1999, 2003, 2014...". E olha que, com o calor que está fazendo, talvez eu tome vários banhos depois de escrever este texto e antes do ano acabar.


Com isso, achei o momento propício de escrever sobre o ano que passou. Mesmo considerando o ano novo, aquele a partir da data do meu aniversário. E isso já tem uns meses atrás. Inclusive quando voltei a escrever neste blog.

Mas, o calendário está dizendo que depois das 23:59 (hora local) do dia 31 de dezembro, já será 2015. Então que assim seja. Mas se lá na frente eu falar de 2014, ele será um ano que lembrarei com certas observações um tanto negativas. E eu não sou o único. Tem muita gente odiando esse ano velho.

Começando que ele passou voando, principalmente para quem tem uma vida corrida e ocupada. Passou tão rápido que em alguns momentos o ano de 2013 (o anterior), as coisas que foram feitas nele, parecem estar mais vivas na memória do que as de 2014. Tudo bem, esse é um ponto de vista pessoal. Afinal, não é a toa que este blog denomina-se o "meu mundo". Inclusive está no topo da página.


Tive problemas de saúde que quase me tiraram a vida, mas o que mais me desgastou e fez de 2014 um fiasco foi referente ao aspecto profissional.

Há alguns anos atrás, escrevi neste blog, sem qualquer tipo de embasamento científico, somente com o meu achômetro mensurável, que o ser humano amadurece a cada 5 anos. Este período equivale a uma etapa da vida onde você faz tudo - ou boa parte - diferente do que foram feitos nos 5 anos anteriores. Na ocasião em que escrevi, lembro que acabara de entrar em um desses períodos. Quem falava ali era um jovem de 26 anos que estava fascinado por fazer parte do mercado de trabalho que optou para a vida. Estava concluindo uma formação acadêmica e mergulhando de cabeça no ofício.

Um quinquênio se foi e outro começou em 2013. É inevitável perceber que quanto mais um desses ciclos se completa, mais eu tenho certeza da minha teoria. E é natural. Não consigo mais pensar da mesma forma que antes. E nesse estágio da vida, foi o quesito trabalho que foi mais afetado emocionalmente.

Cá estou novamente querendo mergulhar de cabeça no trabalho. Dessa vez, de forma mais intensa, com riscos muito, mas muito maiores do que antes. Disposto a levar cacetadas e sofrer quantas quedas forem necessárias para aprender a andar com as próprias pernas.

É aí que entra o lado positivo de 2014. As primeiras surras eu já comecei a tomar e são elas que me motivaram a rever vários aspectos da vida, como principalmente não tentar corrigir algo que está errado. Mas, sim, desfazer-se dele. O que é uma folha toda riscada e rasurada, de um rascunho que precisa ser refeito, perto de uma folha em branco esperando para que algo seja criado do zero, totalmente diferente?

E o melhor: não é promessa de ano novo. Pois, como disse, meu ano novo começou lá no mês de setembro. A vontade de fazer com que este novo ciclo de 5 anos seja diferente não é tão forte quanto o o processo natural que ele ocorre. A cabeça mudou, o propósito é outro. Sair vencedor será consequência dos meus atos.

Em 2014 eu aprendi - ainda que poucas - coisas novas. Descobri algumas qualidades que antes desconhecia. Contudo, principalmente, aprendi a ser mais responsável pelos meus atos, o que será fundamental daqui pra frente. Se será eficiente, talvez a resposta só terei no próximo quinquênio. Daqui pra frente, ser cada vez mais independente priorizando minhas virtudes, ambições, assim como, as pessoas em minha volta que me amam e que também amo.

No fim das contas, entre tantos lados negativos deste ano que se encerra, serão a partir deles que desenvolvo o aspecto positivo pensando lá na frente. E pode até ser que no próximo ciclo eu veja que o ano de 2014 ao contrário de ter sido ruim, foi, como dizem por aí: f*** pra car****!!!

Na verdade, isso não é auto-ajuda e nem quero que isso ajude alguém. Na verdade, isso é mesmo um desabafo.

Bons ventos em 2015.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

OS 3 TIPOS DE FÃS DA OBRA GESSINGERIANA



Escrevo este texto sob a empolgação do lançamento do novo CD/DVD ao vivo do Humberto Gessinger, o eterno líder dos Engenheiros do Hawaii, agora em carreira solo. O novo trabalho é fruto da turnê do disco InSULar lançado em 2013.


É um disco, ao meu ver, focado para fãs que são os chamados  "De Fé", pela ausência de grandes hits e pela presença de músicas lado B. Se é que esse termo existe para os fãs dessa categoria. Mas, afinal, o que seria esse fã "De Fé"? É justamente sobre isso que este post se trata.

Então, roda a vinhet... Ops, esqueci que isso não é um videolog.


Tive a oportunidade de ir a um show da nova turnê, logo quando ela começou. Foi lá que eu identifiquei três tipos de fãs da obra gessingeriana. São eles: Fãs de FM, Fãs Acústico MTV e, é claro, os Fãs De Fé.

Fãs de FM:
Esta categoria poderia ser dividida em duas outras subcategorias que são os que dizem que curtem, mas não pagariam um ingresso para ir a um show; e aqueles que se empolgam e, quando podem, comparecem. Se eu fizesse essa subdivisão, acredito que cometeria o erro de chamá-los de fã. Porque, muitos deles, acham que "Astronauta de Mármore" - clássico do Nenhum de Nós - é dos Engenheiros.

Mas, enfim, esse tipo de "fã" é motivado pela Rádio FM. Geralmente ele já chegou na casa dos 30 anos de idade e acompanhou os hits dos primeiros discos. Pelo menos até o "Várias Variáveis" de 1991. Mas é no "O Papa é Pop" (de 1 ano antes) que ele identifica de fato o que são (ou foram) os Engenheiros do Hawaii.

Esse "fã" costuma dizer que gosta, mas lamenta pelo fato da banda estar sumida e não ter mais nenhum sucesso. Talvez ele lembre vagamente de "Eu Que Não Amo Você" do álbum "Tchau Radar!" de 1999, provavelmente porque o clipe passava constantemente na MTV. E se ele for um pouco mais espertinho, ele até se lembre de "Até o Fim" do álbum "Dançando no Campo Minado" que timidamente tocou nas FMs em 2003. Mas aí seria dar crédito demais.

Levando em consideração que a audiência das FMs têm diminuído, provavelmente o último single radiofônico ("Tudo Está Parado") passou despercebido.

No fim das contas, no show, ele fica com cara de bocó na maioria das músicas e vibra, pula e canta (pelo menos o refrão) com "Toda Forma de Poder", "Somos Quem Podemos Ser", "Pra Ser Sincero" e "Era um Garoto...". Às vezes sem saber o nome dessas músicas. Ele ainda cutuca o amigo do lado e diz "essa é boa".

Enfim, são o baixo escalão dos fãs dos Engenheiros.

Fãs Acústico MTV: Esse grupo é formado por uma galerinha mais nova, sendo que a maioria foi adolescente entre 2004 e 2006. Nesse grupo, também encontramos alguns migrantes do grupo anterior. Tudo graças à MTV que permitiu que uma nova geração conhecesse os Engenheiros, trazendo de volta a banda que estava sumida (hã???) num repertório acústico dos grandes sucessos. Isso é legal, se não fosse um porém: eles só conhecem as músicas deste álbum. De mais nenhum. E, se duvidar, nunca ouviram as versões originais de "O Preço", "Vida Real", "Pose" e "Dom Quixote" que, particularmente, esta é a maior obra-prima gessingeriana.

Voltando ao show, é fácil identificá-los. Eles vibram com as músicas citadas acima e choram de emoção com "3x4" (tudo bem, a música é bonita mesmo). Porém, eles também ficam boiando e com cara de bocós quando alguns clássicos são tocados como "Ando Só" e "Exército de um Homem Só". Po**a!!! Com essas até a turminha das FMs vibra.

Mas, de certa forma, dá pra tolerá-los em comparação à primeira categoria citada. Afinal, apesar do conhecimento limitado, eles admiram a obra. E alguns vão atrás de informação e acabam se tornando um "De Fé".

Fãs De Fé: Ah, esses sim. São os verdadeiros fãs da obra. "De Fé" faz referência a uma música homônima do álbum  "Humberto Gessinger Trio" de 1996 que, por si só, já é um prato cheio para identificar um fã de verdade; uma vez que é o disco mais alternativo da banda.

Os "De Fé" conhecem todas as músicas, todas as versões, identificam álbuns e anos de lançamento num estalar de dedos. Sabem o nome de todos os 17 integrantes (isso mesmo) que já tocaram, inclusive o período em que eles ficaram na banda.

São esses fãs que permitem que Humberto Gessinger mantenha o seu blog ativo com postagens semanais (sempre que a segunda vira terça), que suas contas no Twitter, Facebook e Instagram tenham conteúdos diários com publicação e interação do próprio para com seus seguidores.

Foram graças a esses fãs que por quase dois anos, todo dia 11 de cada mês, o Gessinger fez mini-shows particulares via Twitcam e Hangout, diretamente de sua casa.

São os fãs De Fé que alimentam e propagam a obra gessingeriana, lotam shows e estão a par de qualquer novidade que apareça. E o alemão, é claro, se amarra! O cara tem um carinho enorme pelos fãs. A tal arrogância que tanto foi criada pela mídia (que ao meu ver nunca existiu) ficou no passado.

Os fãs "De Fé" também poderiam ser divididos em subcategorias como os xiitas que apesar de ouvirem tudo, só aceitam uma formação considerada clássica e aqueles que, não sei de onde, criam rivalidades com outras bandas gaúchas. Mas, isso gera muita confusão e briga. Deixa pra lá.

Para encerrar, recomendo a todos os tipos de fãs aqui citados e até os que não conhecem a obra gessingeriana, a ouvirem e pesquisarem sobre. O recente trabalho está belíssimo e vale a dica.

Apenas uma nota importante: não pensem que estar ou não na rádio ou TV é sinônimo de qualidade. Em muitos casos, a mídia vai atrás de quem gosta de aparecer ou cria polêmica. Humberto Gessinger é sossegado, caseiro e não se mete em encrenca. Só faz boa música.

Abraço!

Fan Page: facebook.com/humbertogessingeroficial
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

POEIRA PUBLICITÁRIA Nº 15



Sim! Depois de exatos 4 anos e 9 meses a série com a memória da publicidade brasileira volta a este modesto blog.

E para essa volta, tinha que ser com a categoria que eu mais gosto: comerciais de carros antigos. Hoje, falando de modelos que permanecem há décadas no mercado. Então, vamos sacudir a poeira!

Lançamento do Fiat Uno




Em 1984, a montadora Fiat - ainda sob a desconfiança do brasileiro - lança o Uno. Um dos carros populares de maior sucesso no país. O vídeo acima faz parte da campanha de lançamento do carro, que destacava a tecnologia empregada no modelo na época. O sucesso foi tanto que ele só saiu de linha agora em 2014, ou seja, 30 anos depois.

Agora, não confunda com o Novo Uno. Esse carro mais moderno que está no mercado hoje. O Uno aqui ilustrado é o quadradinho, caixinha de fósforo (apelido carinhosamente dado pelos condutores), chamado também de Uno Mille a partir de 1990. Diferente de outros modelos, ele foi fiel à sua configuração durante esses 30 anos. Mudando pouca coisa como detalhes no painel e lanternas. Mas o design continuou o mesmo.

Em 2014, com a obrigatoriedade de itens de série como air bags duplos e dos freios ABS, a Fiat optou por não configurar o Uno para atender ao novo padrão. Mesmo motivo que aposentou a Kombi, outro exemplo de veículo fiel à sua configuração original.

Com isso, o Uno que, em muitos casos, foi o primeiro carro de muita gente, deixou de ser fabricado para entrar na história do automóvel brasileiro.

O uno teve suas variações como o Prêmio (Sedan), Elba (Perua) e Fiorino (Furgão/Pickup).

Lançamento do Volkswagen Gol




Outro carro que até hoje é destaque no Brasil, lançado em 1980, é o Gol. Ele é o maior sucesso da VW de todos os tempos.

O comercial acima, meio que previa a revolução que o automóvel faria no mercado brasileiro. O Gol hoje está na sua 5ª geração, sendo que a primeira (Gol quadrado) de 1980 a 1994 sofreu três variações nas lanternas, painel e motor.

Até hoje é o carro mais vendido do Brasil, ultrapassando a marca de 5 milhões de unidades. Ele foi também o primeiro carro a adotar a tecnologia de abastecimento Flex com álcool e gasolina, comum hoje em dia.

O Gol teve as seguintes variações: Voyage (Sedan), Parati (Perua) e Saveiro (pick-up).

Até a próxima.

sábado, 11 de outubro de 2014

MÚSICA INFANTIL PARA ADULTOS



Hoje, sábado, véspera do dia das crianças, fui a uma loja de roupas no shopping. Passei algo em torno de 30 minutos escolhendo e experimentando algumas calças.

No som ambiente da loja, estava tocando uma sequência de músicas infantis. O repertório era composto desde Balão Mágico, Trem da Alegria, Xuxa, Mara Maravilha até TV Colosso. Alguns pontos curiosos eu notei, enquanto isso:

1) A música mais nova tinha mais de 20 anos e, a mais velha, mais de 30 anos.
2) Não haviam crianças no interior da loja, que não era pequena, já que a mesma ocupa dois pisos do shopping.
3) Mesmo que tivesse crianças, não iria adiantar. Quem mesmo estavam curtindo as musicas eram os adultos. Trintões como eu.

Diferente do Rock, que é o estilo que curto, todos sabemos que ele é atemporal. Ou seja, independente se for dos anos 50, 60, 80, 2000; ele sempre será atual. Nunca envelhece.

Mas quando ouvimos músicas infantis da época em que éramos crianças, na hora vem a sensação de que estamos ouvindo coisa velha. E pior: que estamos velhos.

Nos anos 80, a criançada tinha conteúdo musical próprio. Nas rádios FMs e nos programas de TV, o público infantil tinha o seu espaço. Ou seja, nenhuma criança ficava desamparada. Não falando somente de música, mas também de programas infantis. Hoje, até a TV Globinho fizeram o desfavor de exterminarem.

Haviam vários conjuntos mirins e adultos cantando para crianças, cujos conteúdos não se resumiam em apenas uma mídia.

Hoje a criança consome o mesmo conteúdo musical dos adultos. Claro, que se este adulto quiser, ele não vai permitir. Porém nos veículos de massa como rádio e TV, a criança de algum jeito está sendo impactada. E a música da Galinha Pintadinha ou do Patati Patatá não vai tocar na rádio FM da sua cidade. Nunca!

Voltando ao cenário da loja, era visível o entusiasmo dos adultos (clientes e funcionários) ao ouvirem aquelas músicas. Eram músicas de quando eles eram crianças. Todos que estavam ali, sem exceção, consumiram aquele conteúdo musical anos atrás.

Ou seja, se a intenção era atingir alguma criança que entrasse na loja; tenho certeza de que não surtiria efeito. Contudo, atingiu diretamente a criança interior em cada pessoa (com mais de 30 anos) que estava ali.

Encerro este texto com uma das músicas que tocou e que eu gostava muito. Feliz Dia da Criança Interior que vai nos acompanhar até o fim das nossas vidas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

LEMBRANÇA DAS CANELAS BRANCAS



24 anos separam essas duas imagens. A primeira foi postada há alguns meses em uma página de fotos antigas de Manaus, no Facebook, e que foi extraída deste blog. Devo confessar que ao ver essa imagem, fiquei emocionado. Isso porque ela registra o local, pouco menos de 1km da casa onde passei a minha infância, cresci e onde vive hoje a minha família.

Observando a foto, passou um filme pela cabeça. Lembro de tempos difíceis, onde tudo era conseguido com muita dificuldade. Trago comigo marcas dessa época. Quando eu tinha que andar muito, no meio da poeira, para pegar a única linha de ônibus que passava próximo (hoje existem várias sem precisar andar tanto). Poucos carros se arriscavam a passar nesse trecho, principalmente nos períodos de chuva. Os que arriscavam, ficavam atolados no caminho.

Mas ao mesmo tempo, lembro com saudosismo como soube aproveitar a infância. Meus pais, mesmo com as dificuldades daquela época, não me privaram de ter uma infância como qualquer outra criança.

Já joguei muita bola nessa estrada de chão. Quantas vezes precisei voltar a tomar banho porque levava bronca por causa das canelas brancas. Sabe o barro quando seca porque não foi esfregado direito? É isso.

Vi quando essas máquinas chegaram e trabalharam por quase um ano na pavimentação da pista. Ficava impressionado com tudo e simulava o funcionamento delas em minhas brincadeiras, no quintal.

Vi a mata que existia rente a estrada dando lugar a fábricas, postos de gasolina, conjuntos residenciais. Vi este lugar ser tão longe do centro da cidade. Hoje nem é tanto...

Tem muita coisa hoje que ainda está preservada. Algumas poucas casas ainda são iguaizinhas. A maioria deu lugar a novas construções, estabelecimentos comerciais. Mas a memória daquele ambiente rústico, porém calmo e tranquilo ainda está viva na memória dos primeiros moradores. Alguns ainda estão lá, entre eles, meus pais.

É  a memória que nunca é apagada e fortalecida quando se vê em imagens como essas. Serve também como reflexão. Valorizo essa origem, o esforço dos meus pais, a dedicação que eles sempre tiveram comigo.

Foram tempos difíceis, de vida simples. Mas dou valor a cada centavo suado que foi investido em mim, o que me dá mais força ainda pra continuar em minha caminhada.

Não vou dizer que sinto falta dessa época. Mas preservo a lembrança e dou a devida importância.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

NASCER DE NOVO

Foram pouco mais de 4 anos.

Foi em 2010 que fiz a minha última postagem neste blog. Resolvi voltar. Sem compromisso, sem aquela pressão de ter conteúdo toda semana. Talvez tenha sido por isso que o blog ficou tanto tempo sem novos textos.

Alguns textos antigos resolvi manter, assim como as séries de postagens sobre publicidade e nostalgia que tanto agradava os leitores, como o anterior a este post.

Por falar em leitores, muitos nem sei por onde andam. Alguns, tenho certeza de que voltarão por aqui. Vocês são pessoas legais.

Mas não é sobre a volta do blog que pretendo falar nesse texto. E o título também não tem nada a ver, apesar de ter combinado com os primeiros parágrafos.



Nas últimas semanas, uma das coisas que mais tenho ouvido de pessoas que conversam comigo é a frase "você nasceu de novo". Tornei público em meu perfil no Facebook, o apuro que passei no mês de agosto quando sofri uma grave crise de apendicite perfurada e necrosada que quase me tirou a vida. Apesar de ainda estar sob cuidados médicos e em fase de recuperação enquanto digito este texto, já estou bem melhor.

Mas durante todo o tempo internado, nunca tive noção do risco que estava correndo. A realidade passou longe do meu pensamento. Apesar das dores, estava tranquilo durante todo o tempo pré e pós-operatório. Afinal, no meu entendimento, seria algo simples e logo voltaria pra casa.

Saber depois que foi uma grande tensão para todos que estavam em minha volta - inclusive médicos - fez com que eu refletisse até o momento e sabe lá até quando mais. Penso no que aconteceria depois se eu partisse dessa pra uma melhor. A gente não pensa nessas coisas simplesmente por medo. E eu tenho medo. Mas, nunca estive tão perto dessa realidade.

O que seria das pessoas que eu amo? Namorada, família, amigos? Negócios, minha casa, meu cachorro, compromissos... Meus objetos pessoais e até mesmo, menos significante, minhas redes sociais?

É certo que eles continuariam sem mim, em se tratando das pessoas. Os objetos, nem imagino. Quando se pensa nessas coisas damos conta do quanto somos frágeis e, principalmente, que não somos eternos.

Ontem, 25 de setembro, fiz aniversário. Mas com aquela sensação de alívio misturada com vitória. Isso porque outra coisa que também me veio em mente não foram somente o que deixaria para trás, mas sim o que deixaria de fazer, dentre tantas coisas que almejo.

Se eu ganhei mais uma chance ou se nasci de novo - como muitos dizem - é porque essa é a hora de eu conseguir forças e energia necessárias para consegui-las. A sacudida, a vida deu e de forma radical. Afinal, como diz uma das canções que escrevi na minha adolescência, o horizonte está a me esperar.

Aqui também é um recomeço.

segunda-feira, 29 de março de 2010

MEMÓRIA 80/90 - Nº 18

Olá. Estava com saudades de postar o Memória 80/90, afinal, faziam seis meses que não publicava nada sobre este tema por aqui. Como venho falando bastante de música ultimamente, resolvi continuar o embalo também nas lembranças do passado. Esta semana, enquanto ouvia uma Web Rádio (ah, as Web Rádios) só com músicas populares dos anos 80, lembrei da minha mãe em nossa humilde casa. Enquanto ela fazia os serviços domésticos, uma fita K7 estava preparada em um aparelho de som com o botão "REC" pausado e no ponto para capturar um grande sucesso da época que poderia tocar a qualquer momento na FM. Quantas vezes não via minha jovem mãe correndo feito louca, por que a música que ela tanto aguardava estava tocando.

Em homenagem a ela e suas constantes correrias para gravar os sucessos em uma fita K7, posto aqui vídeos de músicas praticamete da mesma época que me fazem lembrar daqueles velhos tempos que não voltam mais e que hoje não ouvimos em lugar nenhum, a não ser nas Web Rádios segmentadas. Vamos a elas:



Kátia
"Qualquer Jeito"

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Markinhos Moura
"Meu Mel"

sexta-feira, 12 de março de 2010

É CD NOVO? "BORA" TOCAR.




Este mês de março foi marcado pelas apresentações dos Guns N’ Roses no Brasil. A banda não se apresentava por estas bandas desde 2001, no show do Rock in Rio 3. Li alguns comentários na internet sobre a passagem da banda no país e percebi alguns detalhes que me fizeram refletir.

Outro dia, o meu camarada André de Canini postou em seu blog que o Rock hoje é coisa de velho e outros estilos como o sertanejo universitário, por exemplo, se tornaram as músicas dos jovens. Jovem não vai mais atrás de novidades do Rock. Ele quer saber de bailão sertanejo e a molecada em vez de ir pra garagem com uma guitarra e um amplificador nas mãos, está indo com um violão e um chapéu de cowboy. O nobre blogueiro foi bastante feliz em sua colocação.

E quer saber? Eu também acho isso. Tudo porque hoje estamos condicionados a rejeitar o que é novo e admirar o que é antigo. Partindo para um outro rumo, mas usando o mesmo ponto de partida, que é a afirmação do Canini, digo que nossa geração tem uma parcela de culpa nisso também.

Digo isso por quê? Voltaremos ao Guns. Tudo bem que a natureza nos impede de sermos os mesmos de 20 anos atrás. Nosso corpo, nossa capacidade física e mental, nossa voz, tudo muda. Acontece que nos acostumamos a ver aquele Axl magrinho e veloz correndo de lá e pra cá levando a galera ao delírio. Isso em 1992. Meus amigos, já faz quase 20 anos que presenciamos aquela performance registrada naquele DVD “Use Your Illusion”, gravado em Tokio. Querer que Axl tenha a mesma performance hoje é o mesmo que pedir para que o Falcão seja escalado na seleção brasileira de futebol, como titular.

O Axl faz o que pode e eu admiro e muito. Admiro por manter aceso um nome que vem caminhando agora para a terceira década. Não deixar a chama apagar é o que eu admiro em diversas bandas que até hoje mantém suas atividades. Li em alguns artigos que o que se vê na atual apresentação da banda é um cover do Guns, muito do mal feito por Axl e seus amiguinhos. Sinceramente não levei a sério nenhum dos artigos que li sobre a passagem da banda pelo Brasil. Eu não vi como um indivíduo que estava fazendo um cover de seu próprio trabalho. Pelo contrário, vi alguém mantendo acesa toda a história de uma banda para antigas e atuais gerações.

Lembro-me como se fosse ontem, eu acordado até às 3h da manhã, assistindo à apresentação deles ao vivo no Rock in Rio 3 pela TV. Nova formação, Axl apresentando as novas músicas de um álbum que só iria ser lançado sete anos depois. Meu irmão, na época com 8 anos, via tudo aquilo como uma grande novidade. Passou mais de um mês com óculos escuros na cara imitando a entrada triunfal da banda ao som de “Welcome The Jungle”, arrancando risos da família. Por termos gravado o show em VHS, meu irmão pegou praticamente todos os cacoetes do Axl. Vi, naquilo tudo, uma nova geração apreciando um trabalho criado em outros tempos.

Percebi também, em comentários de pessoas que foram aos shows recentes, reclamações de que a banda tocou muita coisa do disco novo e muito pouco dos antigos sucessos. Incrível! Quando tocam somente sucessos antigos, dizem que a banda faz cover de si mesma e é incapaz de produzir algo novo porque vive de glórias do passado. Agora mais essa. Tudo bem que o “Chinese Democracy” não pode ser considerado um grande disco, mas nele tem boas músicas. Sem contar que boa parte das faixas desse disco não era mais novidade. Algumas delas foram tocadas na última apresentação da banda em 2001, tais como “Chinese Democracy”, “Madagascar”, “Street of Dreams” - que na ocasião foi apresentada como “The Blues” e que é uma belíssima canção, diga-se de passagem.

Sem contar as músicas que vazaram nos anos seguintes. Antes do lançamento oficial, mais da metade do disco já era de conhecimento do público e com algumas faixas tocando em rádios segmentadas, como “Better” que também é uma das excelentes músicas deste recente disco.



Ou seja, reclamam por qualquer motivo. Além do mais, como diz o título desta postagem, se estão com CD novo tem é que tocar mesmo, divulgar, mostrar as músicas. As músicas antigas podemos considerar como a cereja do bolo. Isso me lembra um fato curioso, no show da banda Scorpions em Manaus, em 2007. Não assisti ao show, pois já morava no Paraná. Porém, tive acesso ao áudio e o tenho aqui em meus arquivos. O show fez parte da turnê do álbum “Humanity – Hour 1”, álbum muito bom por sinal. Boa parte das músicas tocadas no show foram deste álbum, mas não se ouvia uma manifestação sequer do público presente. Exceto quando tocaram “Still Loving You”, “Wind of Change” e “Send me an Angel”, esta porque lembrava a versão tosca feita pelo Grupo Calcinha Preta, que sempre fez muito sucesso nas FMs da cidade. Ah, a galera também se manifestava quando Klaus Meine dizia um “Hello, Manaus!!!”.

Resumindo: ali e nos atuais shows do Guns, está um público atrás apenas de uma lembrança do passado, que não busca por coisas novas daquele artista e quando se depara com a realidade se decepciona e mete a boca. Admiro as bandas que nunca pararam, que continuam gravando, continuando sua história. Outro exemplo: a banda Alice in Chains. Depois da morte do vocalista Layne Staley, a banda voltou a se reunir e gravaram um novo disco no ano passado com um novo vocalista. Um puta disco, por sinal. É a chama ainda acesa.

Enfim, perdoem-me os críticos de músicas do Uol, Terra, e blá-blá-blá que parece que combinaram de juntos afundar a turnê do Guns no Brasil. Mas, não conseguiram, pois todos os shows foram lotados e o do Rio de Janeiro, que foi cancelado devido ao temporal, irá acontecer. E se tem CD novo, este tem que ser o astro principal de uma turnê. Aos saudosos que me desculpem, mas a nova geração também precisa de Rock. O rock precisa dessa geração.

E aos rockeiros que fizeram a nossa infância e adolescência serem inesquecíveis, por favor, continuem seus trabalhos, mesmo estando velhos, carecas e barrigudos. O que vocês fizeram um dia precisa ter continuidade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

POEIRA PUBLICITÁRIA Nº 14

Olá a todos. Em uma das viagens de férias que fiz, vi algo que chamou a minha atenção enquanto o avião taxiava no aeroporto de Brasília; apesar de eu já ter percebido em outras ocasiões. Naquele aeroporto, somos capazes de, por algum instante, fazer uma breve viagem na história da aviação brasileira. Isso porque enquanto o avião faz o trajeto na pista, podemos ver sucatas de aviões de companhias já extintas, contudo bastante populares em suas épocas.

Tá certo que tem gente que não gosta das "velharias" nos pátios dos aeroportos e que também isso não é uma exclusividade do aeroporto de Brasília. Há sucatas espalhadas em aeroportos de todo o país. Mas, sem dúvida, as de Brasília são umas das mais visíveis. É inevitável não ter a atenção chamada ao vermos essas relíquias que, por mim, deveriam permanecer nos pátios. Pelo menos algumas unidades.

Foi com base nisso que esta edição do Poeira Publicitária relembra comerciais antigos das companhias que cortavam os céus do país há alguns anos.

Vamos aos primeiros:





Os dois comerciais acima foram veiculados nos anos de 1976 e 1977. Ambos destacavam a personalidade dos funcionários da empresa e como os mesmos encaravam o compromisso de atender bem aos passageiros. Mostrava que por trás de um profissional, haviam pessoas com comportamentos comuns. Importante notar também a trilha de ambos os VTs. O primeiro mostrando o lado bem brasileiro da bossa nova e o segundo com a presença do jingle que se tornou vivo na lembrança da marca. Essa foi a Vasp (Viação Aérea São Paulo), que encerrou suas atividades oficialmente em 2005 e, curiosamente, foi por meio de uma de suas aeronaves que tive a primeira experiência com avião, em dezembro de 1987. Não vou esconder que adorei.



Este comercial foi vencedor de prêmios publicitários. Destacou o povo brasileiro, seus traços culturais, relacionando a grandeza da empresa com a grandeza do Brasil. O que passou a ser um clichê nos comerciais de companhias aéreas. A Cruzeiro foi uma das pioneiras da aviação brasileira, mas sentiu dificuldades em competir com a Varig, Vasp e Transbrasil. Na década de 70, a Cruzeiro foi adquirida pela Varig, mas manteve a marca ativa até 1997.

E por falar em Transbrasil:

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A Transbrasil pertenceu ao dono da Sadia e cresceu no mercado brasileiro principalmente nos anos 80, apesar de que na mesma década, a empresa entrou em crise em virtude de prejuízos com os planos econômicos da época. Foi praticamente do céu ao inferno no mesmo período. No início dos anos 90 passou a operar com voos internacionais. A empresa passou a anunciar seus voos com comerciais que enfatizavam o humor, saindo do clichê aeroportos, cultura brasileira e etc. O comercial acima foi um exemplo disso. Em 2001, a empresa chegou ao fim em meio à enorme crise, protestos de funcionários e, principalmente, com o falecimento do dono da companhia um ano antes.

Tem também os inesquecíveis comerciais da Varig que, mesmo com tantas intervenções judiciais, ainda existe com o nome de Flex e com a marca (forte) presente em linhas oferecidas pela Gol, que comprou a Varig em 2007.

Mas os comerciais da Varig merecem uma postagem exclusiva. Quem sabe em uma próxima edição do Poeira Publicitária.
Um abraço.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ISSO É TÃO, TÃO... 2012


O assunto dos noticiários no mundo todo refere-se à tragédia no Haiti. O planeta se mobilizando, nações enviando equipes de resgate, alimentos e doando dinheiro para a reconstrução do país. Destruição, alguns pontos isolados, caos total.

Seria até então um roteiro perfeito para mais uma produção cinematográfica de Hollywood. Mas é a mais pura e cruel vida real. Recentemente as telas de cinemas representaram o que pode ser a catástrofe prevista pelos Maias para 2012. Tá certo, é ficção, não significa que realmente vai acontecer. Mas, já paramos pra notar que o aconteceu no Haiti é praticamente quase a mesma coisa? O corre-corre e a agonia dos pobres mortais em meio à destruição é similar a de uma destruição em massa. É o cidadão estar em sua casa, na escola, no trabalho ou simplesmente andando na rua para de repente o chão abrir sob seus pés. O teto cair sobre sua cabeça. Isso falando em Haiti, mas não esquecendo Angra dos Reis. Aqui no Brasil. Um dia desses, lembra?

Esses acontecimentos isolados vêm provando, com o passar do tempo, o quanto nosso planeta é frágil. E se esta enorme bola em que vivemos está sujeita a esta fragilidade toda, imagine nós, reles mortais, habitantes dela. A nossa vida real está cada vez mais parecida com a ficção.