domingo, 18 de janeiro de 2009

Reformada ou Deformada?



Olá. Todos sabem que a partir de agora serão adotadas algumas mudanças na Língua Portuguesa a fim de unificá-la entre os países que falam este idioma. Bom, não será exigido pra agora e temos até 31 de dezembro de 2012 para nos adaptarmos. O problema é a confusão que isso vai gerar na sala de aula. A Língua Portuguesa é complexa, difícil de entender em alguma regras. Afinal, são tantas regras que você acaba tendo uma dúvida de supresa em algum momento do dia.

Acredito que a Língua Portuguesa quando bem falada e escrita dá até gosto de saber que vale a pena todo o esforço para aprender (não decorar) todas aquelas regrinhas. Mas, imagine uma criança que acabou de sair do primário e que vai cursar a segunda metade do Ensino Fundamental com essas novas regras. Ela aprendeu "lingüiça" ao invés "linguiça". Tudo bem, eu particularmente, já havia aposentado o trema há muito tempo pelo fato dele ser facultativo. Acontece que essa bendita criança aprendeu que o trema servia para identificar as palavras onde o "u" era pronunciado. Agora qual argumento vão falar para o guri que a linguiça que ele come deve ter o "u" pronunciado? "Ah, professora. 'preguiça' não tem que falar o 'u', por que eu tenho que falar em 'linguiça'?". Estou vendo que essa criança crescerá traumatizada.

E não é exagero. Hoje, há muitos profissionais que trabalham diretamente com redação e que escrevem absurdos em seus trabalhos. Refiro-me àqueles que têm a escrita como sua ferramenta principal de trabalho. Tem muitos docentes em ativdade que não se preocupam em escrever e falar um Português correto, sendo que eles nem têm idéia de que são um exemplo para jovens sedentos de aprendizado. E qual o motivo de um cidadão desse pecar com o Português? Certamente porque ele achou um saco estudar todas aquelas regrinhas. Confesso que eu, que sou bastante rigoroso no quesito gramática, nunca tive paciência para estudar as regras do Hífen. Este, por sinal, tem uma lista enorme de alterações com a reforma. Nunca fui bom com ele e sempre que preciso usá-lo, tenho que recorrer à Gramática. A propósito, acabo de lembrar que a minha está desatualizada e boa parte do que tem nela não serve mais. E lá vamos nós mais uma vez.

Outra coisa: como que vai colocar na cabeça do povo que o certo agora é "mandachuva" ao invés de "manda-chuva"? "Mêu fio, eu nem sabia que tinha tracinho. Escrevinhava tudo separado". É outro desafio que deverá ser encarado pela nova Ortografia: as características culturais. Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-oeste possuem seu linguajar próprio. A linguagem verbal é bastante diferenciada. Tem o fator geração também. Há ainda idosos que escrevem "êste" porque eles aprenderam assim. Da mesma forma que há crianças que vão custar a compreender na escola qual palavra terá o "u" pronunciado ou não. Sem contar que em Portugal o negócio também está pegando. Como será unificada uma língua que é tão diferente em dois países? Outro dia mesmo, em um ponto de ônibus, um senhor português puxou papo comigo. Confesso que dos 10 minutos de tempo que dei atenção a ele, não entendi nem a metade do que ele disse. É daí que se reforça aquela velha história da Língua Brasileira.

Antes que pense mal de mim, eu não estou reclamando. É até muito bonita a ideia (estranho não acentuar esta palavra) de deixar todos os países que falam a Língua Portuguesa escreverem e falarem igualzinho. Até entendo o argumento de fortalecer o idioma no mundo; mas, cá pra nós, isso vai ser complicado demais. Vai dar muito nó na cabeça das pessoas.

Pra finalizar, algumas das novas regras feriram e magoaram bastante aqueles que têm o prazer de escrever um Português correto. Diga-me se não era um prazer acentuar a palavra "para", quando ela se referia a um verbo na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Agora não podemos mais.

Tudo bem. Você para para agradar a reforma. (Hunf!¬¬)

Um abraço e até a próxima.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Poeira Publicitária - Nº 09

Olá. Como estamos entrando na semana do natal, apresento hoje no Poeira Publicitária alguns clássicos de campanhas para esta época do ano. Eis o primeiro:


Comerciais de natal são sempre assim: acompanhados de um jingle memorável. O comercial acima pertenceu à década de 60 e teve um dos jingles mais conhecidos da Varig. Além do mais, o fato de ter sido um desenho animado e possuir um jingle inesquecível; o comercial fez muito sucesso com a garotada.

O próximo:


A Coca-Cola sempre associou muito bem o seu produto ao natal. O Papai Noel é um exemplo disso. Fora os caminhões iluminados fazendo a festa nas cidades numa ação de Marketing incrível.

Para encerrar, eu não poderia deixar de fora este comercial:


O banco quebrou em 1995, mas uma coisa boa que ele deixou foi este comercial que, por muitos anos, marcou o natal durante os intervalos comerciais. Existiram outras versões, mas o jingle está na memória de muita gente.

Desejo a todos um feliz natal e um 2009 repleto de coisas boas. Não esqueçam do verdadeiro motivo desta festa: o menino Jesus.

O Mundo Rocha volta oficialmente em Janeiro. Até lá.

domingo, 19 de outubro de 2008

MEMÓRIA 80/90 - Nº 13

Olá. Chegou o momento de relembrarmos os anos 80 e 90. É a hora de voltarmos no tempo e eu o convido para esta viagem que o Mundo Rocha pode proporcionar a você. Domingo é o dia de descansar e recuperar as energias para a semana que começa. Tem aquelas pessoas que preferem dar um passeio, outras dormirem e tem aquelas que se esbaldam na frente da TV com a programação que, para muitos, já está mais que batida. Claro que os programas de domingo deixam a desejar, mas relembro hoje algumas aberturas antigas de programas tradicionais desse dia da semana. Alguns ainda existem, outros não.

Vamos ao primeiro:


Esse cara está há mais de 1.000 domingos invadindo as casas dos brasileiros com seu programa de auditório. Dono de um jeito único de apresentar, o programa Domingão do Faustão já passou por muitos altos e baixos. Há quem o deteste, mas certamente há quem o adore. Afinal, são quase 20 anos de programa no ar. A abertura acima foi a primeira que o programa teve, cuja estréia se deu em março de 1989.

Continuando o domingo:


Há mais de 30 anos, o Fantástico é o programa jornalístico que resume as notícias da semana.Para muitos, após o "boa noite" de despedida dos apresentadores, é o sinal de que o domingo acabou pra valer e que já é hora de se recolher para encarar a segunda-feira no dia seguinte. Realmente dá aquela sensação de que o fim de semana acabou de vez. Essa abertura marcou os domingos de muitos brasileiros.



Hoje o Fantástico tem essa impressão de fim de domingo; mas por muito tempo durante os anos 90, quem encerrava a noite era mesmo o programa Topa Tudo Por Dinheiro do Sílvio Santos. E quem mais tem cara de Domingo, além do Sílvio Santos? Hoje ele tenta imitar o programa em alguns quadros de sua programação de domingo.

O meu domingo também acabou e desejo a você uma ótima semana.

Abraços.

sábado, 11 de outubro de 2008

Que país é este?



Olá amigo(a) leitor(a). Há três semanas, a seguinte manchete ilustrou a capa de um jornal dos EUA: “Presidente Evo Morales, do Brasil, tenta conter violência". Sabemos que não é de hoje que os americanos e demais países do primeiro mundo desconhecem ou conhecem muito pouco dessa nação chamada Brasil.

Brasil, um extenso território onde não há ruas, somente florestas onde as pessoas andam semi-nuas, as mulheres se prostituem, a violência é incontrolável (se bem que...), há macacos e cobras dividindo o mesmo espaço das pessoas... Sem contar que a Amazônia não faz parte desse território. Um episódio dos Simpsons ilustrou muito bem esse ponto de vista.

Acontece que quando a mídia expõe demais um fato, este acaba se tornando característica. Se lá fora as pessoas acham que só andamos pelados, tem um carnaval aí para evidenciar isso. Vale lembrar um fato ocorrido no Rock in Rio III, em 2001, quando a polícia prendeu o baixista da banda Queens of the Stone Age após ele subir ao palco completamente nu. Após ser detido, o músico argumentou: “"Todo mundo aparece nu na televisão aqui na época do carnaval; achei que não tinha problema."

Tudo bem, assim como os americanos não sabem bulhufas do que é o Brasil e tem impressões erradas ou precipitadas de nós, certamente temos impressões erradas deles também ou sabemos muito pouco.

Mas o que eu vim falar aqui não foi dessa impressão errada e pouco conhecimento no que diz respeito à Brasil por parte dos estrangeiros, mas sim do que NÓS pouco conhecemos do país em que vivemos.

Sabemos muito bem que a enorme extensão territorial de um país como o Brasil resulta em diferentes culturas. É como se fossem vários outros países dentro do Brasil. Isso acontece em virtude das diferentes colonizações que tivemos durante esses mais de 500anos. Existe isso dentro de um único Estado, imagine dentro de mais de 8 bilhões de Km².

O fato é que muitos de nós desconhecemos ou pouco nos importamos em saber informações de outros lugares do Brasil. Observei que o Sul e o Sudeste brasileiro, assim como boa parte do Nordeste, têm uma visão totalmente diferente do Norte do país. Este, por sua, vez resume Sul e Sudeste apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, talvez por causa do futebol. E Brasília, a capital federal? Onde fica no meio disso tudo. Talvez fique no meio disso tudo...

Fui testemunha de um grande choque cultural ao sair do Amazonas para morar no Paraná. Cultura totalmente diferente, hábitos rotineiros que aos poucos fui tomando parte para o meu cotidiano. Já tinha sofrido um choque parecido quando fui ao Rio Grande do Sul. Sair de um extremo ao outro do país é uma experiência fascinante. Por mais que no norte do país existam cidades que são verdadeiras selvas de pedra como Manaus e Belém, a visão que as outras partes do país têm de lá são somente florestas e índios. E mais: deparei-me com uma situação nova para mim. Já ouvi diversas vezes comentários se referindo à Manaus como uma cidade do Nordeste.

No começo até pensava que se tratava de uma brincadeira, fruto da enorme migração de nordestinos para o Norte do país, mas depois percebi que era mesmo verdade: tem gente que não sabe onde fica o Amazonas; qual é a capital de Rondônia; acham que Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são a mesma coisa e por aí vai. O meu maior desejo é conhecer um pouquinho de cada Estado brasileiro, nem que se resuma apenas na capital. Admiro a diversidade cultural, os traços físicos e os sotaques que cada povo possui. Além é claro de me orgulhar em dizer com exatidão onde fica determinado lugar. É o mínimo para não cometer gafes por aí.

Por isso, volto à manchete que introduziu o texto de hoje. Quem somos nós para criticar os americanos que não sabem qual é a nossa capital ou o nome do nosso presidente se mal conhecemos o nosso próprio país? Deixo aqui a minha dica. Conheça mais um pouco o Brasil, nem que seja por fotografias e textos em livros, revistas ou sites da internet. Garanto a você que será uma excelente viagem.

Um forte abraço e até a próxima.

domingo, 28 de setembro de 2008

POEIRA PUBLICITÁRIA - Nº 08

É com enorme prazer que tiro a poeira do baú e resgato hoje inesquecíveis comerciais da Propaganda brasileira. Inesquecíveis porque até hoje eles estão presentes no dia-a-dia das pessoas. Os slogans e os bordôes se tornaram tão populares que muitos falam involuntariamente sem ao menos saber que um dia pertenceu a um comercial. Ponto para a marca anunciada.

Eis o primeiro:


"Não é assim uma Brastemp". Após a campanha, isso passou a fazer parte do cotidiano de muitas pessoas. Em tudo o que não era considerado perfeito, mandavam logo essa memorável frase. "Troquei meu carro por outro mais novo. Não é assim uma Brastemp, mas dá pra andar com ele". O interessante dessa frase é a propaganda involuntária do produto, que acaba sendo uma sacada que eu acho incrível na comunicação publicitária.



Quem nunca ouviu a frase "Bonita Camisa Fernandinho" de alguém se referindo à sua roupa nova, um dia vai ouvir. Pode ser camisa, calça, boné, jaqueta e dependendo da intimidade, até roupas de baixo. Eu disse roupas de baixo? Nossa! Isso foi tão, tão Século XIX...

E para encerrar, um clássico que cedo ou tarde entraria aqui no Poeira Publicitária:

"O primeiro a gente nunca esquece". Beijo, amor, emprego, carro, enfim... Criado por Washington Olivetto, este comercial e seu bordão cairam na boca do povo em todo o país. Apesar de ser voltado para o público feminino, o comercial conquistou a simpatia e o carinho de milhares de telespectadores que se envolveram com a ingenuidade da menina. A peça conquistou diversos prêmios e recentemente o publicitário criador da campanha lançou um livro - cujo título é o bordão - para contar os bastidores do comercial e toda sua repercussão até os dias atuais.

Posso citar outros grandes exemplos, mas prefiro não me alongar. É bom relembrar com você a memória da Propaganda brasileira.

Um abraço e até a próxima postagem.