sábado, 10 de maio de 2008

O tecnostress nosso de cada dia.

Olá amigo(a) leitor(a). Você já se irritou porque o seu celular não funcionou quando mais precisou? Ou quando seu computador travou sem o arquivo estar salvo ao ponto de perder tudo? Calma, eu não vou dizer que seus problemas acabaram. Perguntei isso porque se nada disso aconteceu é porque você ainda não é vítima da nova modalidade de stress que vem crescendo proporcionalmente ao avanço tecnológico. Refiro-me ao tecnostress.



A tecnologia, segundo dizem, foi feita para facilitar a vida das pessoas (e como). Hoje as distâncias não são tão maiores; com apenas um clique resolvemos diversos assuntos, marcamos compromissos, compramos, informamo-nos... Mas resolve tudo mesmo? Zeca Martins, um publicitário que eu admiro muito, disse uma vez em uma de suas oficinas de criação, da qual eu participei, que a tecnologia veio para resolver todos os problemas que não tínhamos antes dela. Não é uma frase criada por ele, inclusive é bastante comum ouvirmos por aí, mas foi da boca dele a primeira vez que ouvi essa afirmação, após o aparelho datashow não funcionar durante a oficina. Se formos analisar, a frase faz sentido. Seu celular está sem sinal e você precisa fazer uma ligação urgente. Fica irritado, tem vontade de jogá-lo contra a parede, xinga, faz cara feia, enfim... Há uns 10 anos, quando o celular era coisa de gente fina, você não tinha esse problema. Da mesma forma que seus trabalhos de escola eram todos manuscritos e você não perdia tudo quando dava aquele problema em que o Word fecha e não salva nada. Pior que essas coisas acontecem na maioria das vezes com uma pequena ajuda de Murphy. Sim, aquele da lei.

Quanto mais a tecnologia faz parte da nossa vida, mais estamos sujeitos a essas situações desagradáveis. O pior é que ficamos dependentes dela. Passei oito meses sem ter um computador doméstico, mas isso não significou a minha separação do aparelho e de suas inúmeras funções. Porém, meu contato com a máquina é maior que com qualquer outra pessoa em virtude dele ser a minha ferramenta de trabalho e meio de comunicação com muitas pessoas que moram longe, mas que tenho uma grande afinidade. Resumindo: ficar hoje sem computador significa isolar-me do mundo e não conseguir exercer as minhas principais atividades. O que acontece é que devido ao intenso contato com a máquina, tentamos agir na mesma velocidade da mesma. Segundo o psicólogo americano Larry Rosen, a velocidade da tecnologia está alterando nosso relógio biológico. Ou seja, queremos fazer tudo na velocidade do computador. Essa correria nos causa irritação quando nos deparamos com a lentidão de um programa que não abre, uma página da internet que demora para carregar, uma chamada no celular que custa a chamar, um elevador que não chega, entre tantos outros exemplos. Queremos tudo pra já. Temos pressa porque a tecnologia nos permite fazer outras coisas em menos tempo.



A tecnologia aumentou o tempo de trabalho, pois por mais que não estejamos dentro do expediente, há um celular que toca chamando por você e há um e-mail que independente do dia e da hora tem algum assunto referente ao escritório. Até nos momentos que podem ser considerados de lazer, como ficar no parque ouvindo música em seu player portátil, você está sujeito ao stress quando na hora da melhor música, a pilha acaba e você esqueceu de comprar uma nova. Parece que este pequeno incidente é o fim do mundo. E se você considera que realmente seja o fim do mundo, certamente o tecnostress faz parte da sua vida.

Pra acrescentar a tensão, ainda tem os problemas ergonômicos em virtude de uma cadeira desconfortável e uma postura inadequada diante do computador que resultam em dores nas costas, nas mãos, nos ombros. Junta tudo isso e mais a tensão por aquele arquivo não abrir (dar o famoso pau) e a falta de memória que deixa o seu computador lento. Fúria e palavrões na certa. O motivo principal do tecnostress é justamente querermos ser tão veloz ou mais que o computador, a câmera digital, o microondas e etc. Não conseguimos mais imaginar nossa vida sem eles e achamos um absurdo como foi que conseguimos sobreviver sem eles em um passado não muito distante. Segundo Rosen, queremos ser multifuncionais também. Rwesultado: nosso organismo não aguenta e com toda essa incapacidade de tentarmos realizar múltiplas tarefas, estamos sujeitos à doenças, desgastes físicos e mentais, entre outros danos à nossa saúde.

Resolvi comentar sobre isso em virtude d'eu ter sentido, nos últimos dias, alguns sintomas dessa nova modalidade de stress. Respiração acelerada, nervosismo, tensão, palavrões constantes, vontade de dar um soco na parede... Por que tudo isso? Porque simplesmente queria as coisas mais rápidas do que elas são. O que fazer? Há várias soluções, mas as obrigações vêm primeiro. Sinto que isso está me fazendo mal para a saúde e percebo que preciso mudar alguns hábitos, entre eles voltar a ter mais contato com a natureza, ter um momento zen fazer nada (que trocadilho horrível), ver pessoas, olhar nos olhos delas... É por causa disso que no fim do dia, costumo acionar minha pasta de músicas clássicas para tranquilizar os nervos. Enquanto publico este texto, apesar de não ter acontecido nada de conturbado em minha volta, sinto ainda os sintomas do tecnostress. Algo ainda me aflige. Mas o momento em que me sinto em perfeita paz e harmonia é quando estou dormindo e, por isso, tenho muita dificuldade em levantar da cama independente de ser cedo ou tarde. Quem me conhece sabe disso.

Portanto, leitor(a), não se preocupe comigo. Prometo que mesmo não saindo da rotina, buscarei caminhos para que o tecnostress não afete a minha vida em escalas maiores. E você que está sofrendo do mesmo mal, lembre-se (junto comigo, é claro) que somos seres humanos e não máquinas. Não somos multifuncionais.

Antes de me despedir, quero mostrar este vídeo engraçado sobre o que o tecnostress é capaz de fazer quando se encontra em um estágio avançado:




Ainda bem que eu não sou assim e nem pretendo alcançar este nível.

Um abraço e até a próxima.

4 comentários:

Daniel Junqueira disse...

Voce não é assim.
Que bom.
Se voce fosse diria para procurar tratamento psiquiatrico!!
E isto vindo de mim é grave.
Rs...
Mai me diga, quem nunca cometeu algum ato insano devido ao tecno stress ?
Eu mesmo ja arremessei o cel uma vez na parede e outra esmurrei o volante do carro quando quebrei a holocinética.
E mais uma coisa, MALDITO SEJA MURPH!!!

Juliano disse...

Ae meu irmão,blz?bom,pra começar tow tentando digitar esse texto aki a algum tempo,mas estou sofrendo desse mal aí,neste momento.estou digitando em um celular,e as teclas são pequenas e ainda pouco deu um erro aki.mas,tirando os problemas,axo q muita gente tá sofrendo desse mal.e não há como dizer q não,pois até nas tarefas mais simples,lá está a "tal" da tecnologia.se o controle da tv parou de funcionar,vc vai ficar irritado por ter que levantar para trocar de canal,se o ar condicionado do carro não funcionar,pior ainda,vc fica irritado devido o calor.bem,com tanta tecnologia,deveríamos viver mais felizes a cada dia,mas quanto mais se desenvolve,mais exigimos.
É isso ae,abraço meu brod.fuiiiiiii

Tiago Valiensi disse...

Rapaz, acabei de me auto-diagnosticar com esse tal Tecnostress. Me identifiquei com muitos pontos do seu relato, menos é claro, com os vídeos finais.
Acho que até comentei com você, sobre uma das primeiras postagens do meu (Terapêutico) blog: Lá estava eu digitanto um texto comprido, criado naquele momento. Sequencialmente cliquei em "Publicar", mas a net caiu. Para minha surpresa o blog salvou apenas metade do texto.
Duas opções: Tomar um café, relaxar e recomeçar, ou: Quebrar tudo que ví pela frente.

Lá fui tomar meu café... Quando reconstruí meu texto, tive a infelicidade de constatar que a versão "perdida" era infinitamente melhor. Paciência.

Abraço, e mantenha-se calmo!

Paulinh@ disse...

Alex... meu amigo...

Como portadora do tecnostress em nível moderado, controlado sem o auxílio de medicamentos, adorei o texto... mto bom mesmo... mas... o grande problema é: "aparelhos eletrônicos são temperamentais", tanto qto nós, seus usuários... parece q eles têm vontade própria... pq escolhem "dar pau" no exato momento em q mais precisamos deles... eh incrível...

Mas, eh como eu sempre digo pros alunos lah no museu onde ainda trabalho, tudo o que é de última tecnologia hoje, amanhã estará ultrapassado... é um ciclo sem fim... kkk

Vídeos engraçados, mas preocupantes...

Abraços... desculpe a mediocridade do comentário!!!